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sexta-feira, 1 de agosto de 2014

ETERNA SAUDADE DA MINHA FILHA CRIS HENRIQUES


1/9/1975 - 14/7/2014
É com uma dor imensa no coração, que comunico a todos os amigos, que no dia 14/7, apagou-se uma luz que iluminava a minha vida. Cris Henriques, minha filha Dorinha como era chamada pelos mais íntimos, administradora dos blogs
 O QUE O MEU CORAÇÃO DIZ e  em parceria comigo 
ESPAÇO CONSCIÊNCIA PURA , partiu para sempre. Sei que estará irradiando a sua luz noutro plano, iluminando aqueles que amava, mas isso não diminui a dor que sinto, o vazio que ela deixou na minha vida.
Para quem não conhecia bem a Cris, devo dizer que foi uma lutadora, uma guerreira, desde que nasceu até que partiu. Nasceu portadora de uma doença que se chama Atrofia Spinal Progressiva, do tipo 1. É suposto, quem tem esta doença, de tipo 1, não passar dos 2 anos de idade. Ela tinha 38 anos. A Cris sempre teve problemas graves de saúde, que fomos conseguindo ultrapassar um a um, com coragem e determinação. A Cris era completamente dependente, esteve toda a sua vida numa cadeira de rodas, e sem força muscular, a sua qualidade de vida foi-se deteriorando cada vez mais. Ainda assim, conseguiu concretizar alguns sonhos.
Fez um curso de inglês, por correspondência, pela impossibilidade de se deslocar de casa, e falava fluentemente essa língua. Fez um curso de Astrologia, que lhe permitiu ajudar muita gente que a procurava. Cada mapa astral que fez, foi mais um amigo que ganhou. Há dois anos, terminou o 12º Ano de Escolaridade, com excelente aproveitamento. Percebia imenso de computadores e informática, conhecimentos adquiridos apenas com pesquisa e ajuda de amigos virtuais. Escrevia poesia com um sentimento tão profundo, com um amor tão grande, como só ela sabia sentir. A edição de um livro de poesia, O QUE O MEU CORAÇÃO DIZ, foi mais um sonho concretizado. Escrevia com sentimento, com sinceridade e amor. Aquele amor, que lhe era inerente, ela era feita de amor e doçura. Até hoje, foi a única pessoa que conheci capaz de sentir amor incondicional, fosse por amigos, familiares ou o amor da sua vida. Quando amava, amava mesmo e o objeto do seu amor, não tinha defeitos, eram apenas pessoas diferentes umas das outras, que quando erram estão apenas a experienciar a vida, a aprender com os erros, e não nos compete a nós julga-los, como ela dizia, com toda a razão.
Era a única coisa que conseguia fazer sozinha, escrever no computador. Ainda assim tinha de ser ajudada para se posicionar, e escrevia apenas com dois dedos, que eram os únicos que tinham ainda alguma mobilidade.
Não obstante os problemas de saúde que a sua deficiência lhe causava, o que a levou, foi um carcinoma, que quando descoberto, já estava metastizado, levando-a em pouco mais de dois meses.
Não foi possível esconder dela o problema. Inteligente, rapidamente se apercebeu do que tinha. Confrontou o médico, queria saber. E soube. Depois do médico sair, ficou um pouco calada a pensar, depois disse-me:
_Mamã, não fiques triste, eu vou ficar bem. Todos temos que partir um dia, e eu fui feliz. Não pude fazer muitas coisas que as outras pessoas fazem, mas fui feliz assim, e muitas pessoas que podem fazer tudo, nunca são felizes. E digo-te mais, vou manter a minha alegria até ao fim.
E cumpriu. Poucas horas antes da partida, quando não lhe conseguia baixar a febre, que estava nos 41º, ao levá-la para as urgências, com o sentido de humor que a caracterizava, ainda disse uma piada que nos fez rir. Foi das últimas coisas que disse. A partir daí as dores intensificaram-se até que partiu.
Resta-me o consolo de saber que parou de sofrer. Resta-me o consolo de saber que dediquei a minha vida a ela, ao seu bem-estar, fiz sempre tudo por ela, desde que nasceu, até que partiu. Inclusivamente fui eu quem lhe cerrou os olhinhos doces, para sempre. Mas será que isso é consolo? E o vazio que ficou na minha vida? Vou ter que seguir o exemplo de coragem que ela deixou, e seguir em frente. Vou guardar para sempre as suas palavras de amor.- Mamã, amo-te muito, digo-te isto muitas vezes, mas preciso de dizer.
Eu sei, meu amor. Onde estiveres, continuo a sentir o teu amor, e continuo a dar-te o amor que te dei durante toda a tua vida.
O céu ganhou uma estrela, e eu, perdi a minha filha, a minha melhor amiga, confidente, sempre com compreensão e carinho aconselhando a mãe, tendo sempre uma palavra de encorajamento a dizer. Mas ganhei um anjo para me proteger.
Descansa em paz, meu amor, que Deus te ampare em seus braços.

Idália Henriques

Cris Henriques


1 comentário:

  1. Você a amava muito, mas Deus a amava ainda mais, pois deu a ela uma mãe maravilhosa. Não existe adeus, existe até logo. Um dia, no céu, vamos todos nos reencontrar e não vai mais existir dor nem separação. Um dia depois do outro e a saudade um dia vai ter fim, Idália querida. Só vi hoje, entrando na tua páginas do Google, então só hoje posso enviar algumas palavras - que eu sei não servem de consolo... Muita coragem e muita fé, que Deus é bom. Beijos.

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